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18.03.2014
15 açudes da Paraíba têm alta contaminação

 

A série de eventos da Semana Mundial da Água começou com um alerta: o produto  está cada vez mais escasso na Paraíba e alguns mananciais estão com alto nível de contaminação por cianobactérias. Segundo o especialista em Ecologia e Conservação da Universidade Estadual da Paraíba, José Etham Barbosa, 15 dos 22 reservatórios monitorados pela universidade têm uma concentração alta desses organismos, que provocam diarreia e infecção estomacal. Alguns em situação mais grave são Acauã, Camalaú, Cordeiros e Poções, que possuem mais de 100 mil células da bactéria por mililitro de água. A seca agrava o problema. As cianobactérias, que também se proliferam com o despejo de esgoto e materiais industriais com nitrogênio e fósforo nas águas, contaminam os  peixes, e há riscos para as pessoas que consomem a água sem o tratamento e o pescado.

A UEPB auxilia a Cagepa no controle da cianobactéria, segundo José Etham Barbosa. “Dos reservatórios que monitoramos, 70% já tem uma concentração bem grave. Isso se agrava com a seca. Quanto mais se instala a seca, o reservatório vai secando, os nutrientes vão se concentrando, aumentando a disponibilidade para as bactérias, aliada à incidência solar”, disse. “Alguns mananciais estão em condição de eutrofização grave, como o de Acauã e outros da bacia do Rio Paraíba, como Camalaú, Cordeiros, Poções, açudes que estão na linha de frente para recepção de águas da transposição do Rio São Francisco. Estes açudes precisam ser monitorados semanalmente e todas as estações de tratamento de água devem ter mecanismos de eliminação desses organismos na água que vai para o abastecimento.

O que são

De acordo com Etham Barbosa, as cianobactérias tem um potencial alto de contaminação. “Cianobactérias são microorganismos que fazem fotossíntese, como as plantas. O que chama a atenção é o potencial tóxico que podem desenvolver na água. Um caso a se lembrar é em 1996, quando morreram 72 pessoas em Caruaru (PE) por causa das toxinas das cianobactérias”, disse o professor. A contaminação ocorre por toxinas, que geram alterações na saúde dos humanos e contaminam os peixes. “As cianobactérias produzem hepatotoxinas e neurotoxinas. Essas substâncias provocam infecções e alterações no homem e na biota aquática”, explicou.

UEPB estuda risco de câncer

O coordenador do programa de Pós-Graduação em Ecologia e Conservação da UEPB, José Etham Barbosa detalha os riscos da contaminação por cianobactérias e afirma que o cultivo de peixes em cativeiro merece atenção especial para o problema. “A ingestão direta provoca disfunções como diarreia e infecção estomacal. O mais grave é a bioacumulação, substâncias andarem na cadeia alimentar dos organismos aquáticos. A cianobactéria é alimento de microcrustáceos, os microcrustáceos são alimentos de pequenos peixes, que são alimento de grandes peixes, consumidos pelo homem.

Vários empreendimentos de tanque-rede que criam tilápia estão infectados por cianobactérias. Encontramos toxinas na musculatura, na carne, na gordura e nas vísceras desses peixes. Estamos tentando evidenciar se os peixes sofrem com carcinogênese, ou seja, se provoca câncer nos peixes. Isso comprovado, a gente vai para os organismos de sangue quente, que mais estão relacionados com a espécie humana”, afirmou. A água de poços artesianos não apresenta risco de contaminação pela cianobactéria por conta da ausência de luz, essencial para a proliferação do microorganismo. “Poços profundos de água mineral não tem luz e a cianobactéria precisa de luz porque é fotossintetizante. Então sem luz ela não tem como se proliferar”, explica.

Fonte: Jornal Correio da Paraíba

 

 

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