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09.08.2017
Especialista internacional afirma que a municipalização da água só traz prejuízos

Durante um debate que aconteceu na manhã desta quarta-feira, 09, no auditório da Biblioteca Central da UEPB, o professor emérito da Newcastle University Reino Unido, o doutor Jose Esteban Castro, afirmou que quase todas as experiências de municipalização ou privatização que tem acompanhado no Brasil e no mundo afora apresentaram resultados negativos para quem ousava gerir os serviços de água e esgotos, e que as camadas mais pobres foram os que mais sofreram com as municipalizações e privatizações.

O presidente do Sindicato dos Trabalhadores nas Indústrias Urbanas na Paraíba (STIUPB), Wilton Maia Velez, bem como outros diretores da entidade, fizeram questão de participar das discussões a convite do Programa de Pós-graduação em Desenvolvimento Regional daquela instituição. O tema do seminário foi: “Água, Democracia e Desenvolvimento”. A coordenação do debate foi do professor Dr. Cidoval Morais.

Jose Esteban é uma autoridade mundial na questão hídrica. Ele é diretor de pesquisa sobre água no Instituto de Pesquisa sobre Meio Ambiente e Sustentabilidade da Universidade de Newcastle Upon Tyne, pesquisador do Centro de Estudos Brasileiros da Universidade de Oxford e professor visitante do Procam. Foi pesquisador da Escola de Geografia e Meio Ambiente da Universidade de Oxford, professor de ecologia política da Universidade de Londres e de estudos sobre desenvolvimento na Escola de Economia e Ciência Política de Londres.

O especialista lamentou que cidades como Campina Grande e outras no País, estejam tentando municipalizar os serviços de água e esgoto e citou que, nos Estados Unidos, em Washington, por exemplo, tentou-se esse processo, mas a sociedade organizada e mobilizada impediu que isso acontecesse.

Em sua intervenção, Wilton Maia, pontuou processos de municipalizações que não lograram êxito, como em Sousa, aqui na Paraíba, bem como em Recife, com uma PPP (Parceria Público Privada). “É sempre assim, privatiza-se o lucro e estatiza-se o prejuízo”.

O dirigente sindical enfatizou a necessidade para participação da sociedade nessas discussões, também levantou a questão do controle social e com isso alertou para a necessidade de envolver as comunidades em debates e iniciativas, bem como homens e mulheres na zona rural, os quilombolas, os indígenas e os atingidos por barragens: “Não são apenas as pessoas das zonas urbanas que têm direito a água. Ninguém luta por aqueles que vivem às margens de uma transposição, por exemplo, que tinham acesso à água e agora não mais”, destacou Wilton.

Varias pessoas fizeram intervenções no debate, e no final foi defendida  a formação de um Comitê local para lutar contra a municipalização dos serviços de água e esgotos em Campina Grande, com a coordenação do Stiupb, além da participação da UEPB e outros segmentos.

Osvaldo Bernardo, representante do Movimento dos Atingidos por Barragens, denunciou que muitas barragens, como a de Acauã, são construídas sem ouvir e nem conhecer a realidade das famílias que moram nas localidades próximas: “Não somos contra o progresso, mas que progresso é esse, já que, antes da barragem, não tínhamos conflito e nem falta da água? Agora, isso é uma realidade em nossas vidas”, destacou.

 

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