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04.10.2017
Plenária da Plataforma da Energia marca unidade em defesa da soberania brasileira

Na manhã da última segunda-feira (2), no Terreirão do Samba, no Rio de Janeiro (RJ), cerca de 2.500 pessoas participaram da Plenária Nacional da Plataforma Operária e Camponesa da Energia.

A Plataforma é uma articulação criada em 2013, que reúne por volta de 70 organizações de trabalhadores do campo e da cidade, que debatem a necessidade da construção de um modelo energético popular. Petroleiros, eletricitários, jovens, engenheiros e camponeses questionam dentro da Plataforma o atual modelo energético e as tentativas de privatização da Eletrobras e da Petrobras.

Compondo a mesa da Plenária, o geólogo Guilherme Estrela destacou a dimensão do patrimônio natural do país, como os aquíferos subterrâneos, a biodiversidade e os recursos minerais. Ex-diretor de Exploração e Produção da Petrobras no período da descoberta do pré-sal, Estrella destacou que essa riqueza pode colocar o Brasil no 3º lugar do ranking de países com maiores reservas de petróleo do mundo, atrás apenas da Venezuela e Arábia Saudita.

“O Brasil tem uma imensa riqueza estratégica, patrimônio do povo, descoberto e construído por nós. Essa riqueza é mais que suficiente para atender as necessidades do país, para que cada brasileiro tenha uma vida justa e digna e para que possamos garantir a nossa soberania”, reforçou o geólogo.

Já o integrante da coordenação nacional do Movimento dos Atingidos por Barragens (MAB), Gilberto Cervinski, destacou a importância dos trabalhadores se apropriarem dos recursos nacionais. “Nosso patrimônio é muito grande, mas só pode ser aproveitado nas mãos do povo. Se for entregue aos estrangeiros vai servir apenas para o lucro dos banqueiros e das transnacionais”, alertou.

Como exemplo dessa distribuição injusta imposta pelo atual modelo energético, eletricitários também denunciaram que 36 minutos de trabalho por dia é suficiente para pagar o salário de cada trabalhador da categoria, sendo que todo o restante do recurso é entregue ao lucro das empresas. Juntos, os trabalhadores buscam unidade na construção de um Projeto Popular de Energia para o Brasil. “Ao povo o que é do povo. E como tudo é produzido pelo povo trabalhador, que tudo seja do povo, e não abrimos mão”, afirmou Cervinski.

Privatizar não é a solução

A Plataforma constrói uma estratégia nacional para combater as políticas entreguistas de Temer, que afirma solucionar os problemas do Brasil com a privatização da Eletrobras e Petrobras. “A Eletrobrás é a maiores empresas de energia da América Latina, construída com o suor e sangue dos atingidos e trabalhadores do Brasil. A riqueza gerada deve estar a serviço do povo”, defendeu o militante.

Atualmente, as principais hidrelétricas do Sistema Eletrobrás já têm suas dividas amortizadas, ou seja, o povo brasileiro já pagou por suas construções e têm direito a contas de luz mais baratas. Com a entrega do patrimônio, serão mais 30 anos de lucro para empresas privadas, com o ônus aos consumidores. “Caso sejam efetivadas, as privatizações gerarão aumento no preço da luz, do gás, redução de postos de trabalho e uma grande piora na condição da vida do povo”, explicou Cervinski.

Luta e formação

“Quem irá resolver essa parada é o povo na rua”, opinou Guilherme Estrela. Construído pela Plataforma Operária e Camponesa de Energia, com o apoio de diversas entidades e organizações de trabalhadores, o dia 3 de outubro será marcado por mobilizações em todo o país em defesa da soberania. Como parte da programação do 8º Encontro Nacional do MAB, o ato deve reunir cerca 10 mil pessoas no Rio de Janeiro e é visto como marco nacional de luta.

“No momento que nossa soberania está sendo ameaçada, devemos retomar as mobilizações de massa e dar o recado: vamos retomar o controle do nosso país, nenhum golpista vai por as mãos no que é do povo brasileiro”, afirmou Elida Helena, do Levante Popular da Juventude.

A Plataforma organiza ainda uma série de ações de formação sobre o tema. Organizada em 15 estados brasileiros, a investe nos espaços de formação como estratégia de luta. “O conhecimento é também importante riqueza de um povo, e estava sendo negado. A Plataforma tem levado esse debate a jovens e toda a sociedade brasileira para juntos lutarmos pela nossa soberania”, explicou Claudir Salles, diretora da Confederação Nacional dos Trabalhadores em Educação (CNTE).

Durante a Plenária, o CNTE informou que organizará aulas de cidadania e debates com o tema da soberania em diversas escolas do país, como parte do Ato em Defesa da Soberania.

 

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