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12.08.2019
Bolsonaro quer privatizar as águas da Transposição: você vai deixar?

O ex-governador Ricardo Coutinho anunciou, através da imprensa e pelas redes sociais, um grande ato em defesa da Transposição do Rio São Francisco. O evento político acontecerá em 1° de setembro.

Assim como aconteceu na gigantesca inauguração popular ocorrida há pouco mais de três anos, o SOS Transposição: grito do Nordeste, como o ato foi chamado, também acontecerá na cidade de Monteiro, mas agora com um outro caráter.

Lula e Ricardo Coutinho em Monteiro

Se em 2016 o que prevaleceu foi o clima de festa e homenagem ao ex-presidente Lula pela corajosa iniciativa de tirar do papel essa gigantesca obra, que permitirá aos habitantes do semiárido nordestino segurança hídrica, o desafio agora é outro: impedir que as águas da transposição sejam privatizada.

A estratégia de Bolsonaro, que conta, infelizmente, com o apoio de setores da política e da imprensa paraibanas, é esvaziar quanto tempo puder os canais por onde a água jorrava para provocar danos à estrutura e justificar novas paralisações.

Como o governo acha caro o custo de manutenção da Transposição (R$ 300 milhões ao ano), a intenção é privatizá-la. Segundo noticiou o Diário do Nordeste no último dia 9 de agosto. “O Ministério do Desenvolvimento Regional (MDR) confirmou, na sexta-feira (9), ao Diário do Nordeste, que a operação e a manutenção do Projeto de Integração do Rio São Francisco devem ficar a cargo da iniciativa privada“.

Só para termos um parâmetro a respeito das prioridades do governo Bolsonaro, o agronegócio vai deixar de pagar uma contribuição previdenciária sobre o setor exportador que geraria uma arrecadação de R$ 84 bilhões pelos próximos 10 anos! Ou seja, só com o que o governo federal vai deixar de arrecadar em um ano com a cobrança dessa taxa (R$ 8,4 bilhões) daria para manter a Tranposição em funcionamento por quase 27 anos!

Como atende prioritariamente o mais pobres, o governo Bolsonaro acha cara a Transposição – já notou que tudo que atende os mais pobres é caro para o atual presidente? E pretende repassar a administração para empresas privadas para que elas ganhem dinheiro com a obra, porque essas empresas vão cobrar caro pelo serviço – ao lado disso, o governo pretende forçar os governos estaduais e venderem as empresas de distribuição de água, como a Cagepa, aqui na Paraíba

A Tranposição abastece reservatórios de grande importância para o estado, como o açude de Boqueirão, em Campina Grande, uma cidade com mais de 400 mil habitantes que quase entrou em colapso d’água recentemente.

Defender a Transposição, portanto, não é só uma questão de compromisso com o desenvolvimento do semiárido. É mais do que isso. Se a intenção de Bolsonaro prosperar esse antigo projeto, fundamental para sobrevivência das populações que vivem naquele espaço, vai acabar beneficiando uns poucos e deixará de cumprir a função para a qual foi construído.

 

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